A cada aluno foi distribuído um jornal que deveria folhear atentamente procurando encontrar notícias que contenham expressões que visam gerar no leitor uma sensação forte de alarme, indignação ou pesar.

Ao encontrar cada uma destas notícias, os alunos discutiram a notícia com a turma e identificaram estas expressões de violência, procurando perceber quais os motivos que levaram o redactor a optar por umas palavras em vez de outras..

Procedeu-se, depois, ao recorte da notícia.



Cada aluno foi coleccionando todos esses recortes até atingir a quantidade necessária, entre cem e cento e cinquenta recortes (previa-se que o total da exposição venha a reunir cerca de 4000, 5000 recortes).

Em todas as aulas foi dada a indispensável importância à manutenção e limpeza da sala de aula.

limpeza

Quando reuniu recortes suficientes, foi distribuída a cada aluno uma tela com dimensões uniformizadas (40x40) onde foram colados (cola branca) com pincel.

O processo de colagem iniciou-se no mês de Dezembro. Todos os alunos apresentaram diversas soluções para se concretizar este processo. Defendia-se, por exemplo, que este processo de colagem das 40 telas decorresse de uma vez só. Para que esta operação decorresse sem interrupções foi sugerido executá-la num dia em que não houvesse aulas – um Sábado. Desta forma, o processo de secagem poderia decorrer sem prejuízo do resultado final. Verificou-se, porém, que o processo de colagem iria demorar bastante mais tempo do que apenas um dia. Reservou-se esta solução como um recurso posterior se exigisse eventual urgência. O deadline definido era o de 8 de Fevereiro.

No que respeita à operação de colagem alguns alunos optaram por fazer a colagem do seu próprio quadro, outros optaram por trabalhar em pares e outros optaram ainda por continuar o trabalho em suas casas. 

Concluída a colagem dos recortes passou-se à fase de execução da exposição propriamente dita. O design foi demoradamente debatido com as turmas que apresentaram numerosas sugestões. A metáfora da "espiral de violência" foi escolhida e foi também decidido, com base nas dimensões possíveis que os expositores permitiam, que apenas 34 telas viessem a ser expostas em dois grupos de 7 e dois grupos de 10. 

Inicialmente o projecto previa que cada tela fosse pendurada com dois fios de arame. esta solução foi tentada mas revelou-se inviável. Foi praticamente impossível garantir uma medição milimétrica do arame no momento da suspensão das telas o que originava um desacerto enorme entre as telas. Optou-se então por criar uma "coluna vertebral" com uma régua de plástico flexível para unir as telas. Para a fixação dos arames e réguas foi utilizada uma pistola eléctrica de pregos e agrafos.



O resultado da primeira suspensão das telas foi bastante decepcionante. O verso das telas apresentava um aspecto muito "técnico" e mundano que desviava a atenção do espectador. Foi imediatamente decidido que este verso teria de ser coberto por uma solução qualquer. Reiniciou-se o debate nas turmas sobre o assunto.  Muito rapidamente se percebeu que o problema foi o de filtrar ideias. Não houve falta delas. Interessava porém não seguir muitas ideias mas sim uma única ideia que reforçasse o que estava nas telas e não chamar muita atenção para o seu verso. Ou seja tinha de ser uma solução que sublinhasse discretamente de um lado, aquilo que queríamos dizer no outro. 

Um dos alunos lançou a ideia pela qual se sugerisse a presença de sangue. A ideia foi considerada imediatamente no que respeita à sua viabilidade. Mais tarde, uma professora deu a sugestão que se recortassem colunas de jornal sem títulos nem leads, de forma a criar uma mancha cinzenta de texto sobre o qual se "pingaria" tinta vermelha. Alunos e professor acharam esta ideia exequível e imediatamente se começou o trabalho. Contudo, o resultado das primeiras experiências foi desanimador. Não se conseguia o efeito pretendido e a colagem tomava imenso tempo. Foi mesmo necessário utilizar algumas aulas de História e Formação cívica para conseguir acabar a exposição no tempo pretendido.

Optou-se apenas pela solução inicial, a sugestão de sangue por trás das telas. Imediatamente se começou a recortar folhas de papel de cenário nas dimensões das telas (40x40).

A seguir arrancou o processo de dripping em tinta vermelha sobre o conjunto das folhas de papel recortadas que cobririam o verso das telas.


 

Entretanto todas as telas foram sujeitas a um acabamento final com duas demãos de mod podge para uniformização e polimento da superfície da tela.

Era também necessário construir um stand para apresentar o texto da exposição. Muitos foram os projectos que terminaram num protótipo simples, moderno e económico, utilizando flexifoam, alumínio e madeira.

Depois de serem agrafadas as folhas de verso nas telas e colocado o expositor, estava concluído o processo de exposição. Faltava apenas a sua versão digital. Foram fotografados todos os momentos do trabalho e coligido o material para a criação de uma página web, simples, mas ilustradora das diferentes fases do processo. a sua disponibilização online ficaria na página da escola e no endereço www.edudepo.org
 

A exposição ficou pronta. Clique aqui para a ver.


Tempo Real na Escola Superior de Arte e Design



Foram, entretanto, efectuados contactos com a Escola Superior de Arte e Design para expor o trabalho nesta prestigiada instituição. Não sendo hábito que trabalhos de alunos de escolas do ensino básico e secundário sejam expostos naquele estabelecimento de ensino superior, foi com muito agrado que vimos o nosso pedido aceite por parte da Direcção daquela escola, que dedicou ao projecto uma atenção e uma diligência que muito nos honram.

Imediatamente se começou a preparar um sub-projecto seguinte: uma instalação artística "Tempo  Real" para a ESAD. Cedo se concluiu que seria mais interessante procurar outro layout para a instalação do que repetir o mesmo que havia sido criado para a nossa escola. Estudámos algumas propostas:
 

Proposta 1:

Proposta 2:

Proposta 3:

Proposta 4:

Acabámos por optar por uma solução algo mais narrativa: O conceito visual era o de criar uma seta apontando para um monte de papel de jornal talhado às tiras, procurando suscitar no espectador a leitura evidente e inequívoca de que este é um "jornalismo de lixo".

A maquete aprovada foi a seguinte:
 
 




Dando seguimento a uma sugestão da aluna Beatriz Cambaio, foi endereçado um convite ao Senhor Director do jornal Correio da Manhã para realizar uma conferência na nossa escola sobre "Sensacionalismo nos jornais". Esse convite foi aceite e a data agendada para 29 de Maio de 2008. Apontou-se para então a inauguração na ESAD desta peça.

A peça foi instalada e concluída num Sábado, utilizando um espaço amplo da ESAD que previamente havia sido visitado e escolhido para receber a instalação. 

Foram destruídos 30 quilos de papel de jornal, reduzidos a tiras com a ajuda de um triturador de papel.

   

Enquanto uns procediam à trituração de papel, outros concluíam uma tela em falta para completar o número de 40 telas que nos havíamos proposto inicialmente executar.

Outros, finalmente, procediam às medições, marcações e afixação das telas.


 


 

A participação de alunos e professores foi indispensável e tornou os trabalhos muito simples e expeditos.


No final, o trabalho ficou com uma leitura bem sólida, consistente com o conceito original da maquete.

Estava concluído o segundo  momento do projecto.


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